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Influenciados por crise econômica jovens procuram outros países para morar

Atualizado: 9 de mar. de 2021

Crise político-ecônomico no país influencia jovens a buscarem em países de primeiro mundo, qualidade de vida almejada

03/12/19 – 20:08

Por: Jéssica Gonçalves e Luísa Chacon



A emigração brasileira é um fenômeno que pode ser decorrente de sucessivas crises econômicas, como das décadas de 80 e 90, pelo aumento do desemprego, pela procura de uma melhor qualidade de vida ou mesmo pela busca por estudos/intercâmbio como no caso do casal Ingrid Lima e Aldo Neto. O maior benefício de imigrar por meio dos estudos é que não há uma idade determinada já qualquer um pode buscar estudos e capacitações independentemente da idade como afirma a consultora em imigração, qualificada pelo governo canadense, Paula Hirata.


A economista Ingrid Lima fez intercâmbio em 2012 e voltou ao Brasil para terminar os estudos, quando surgiu a oportunidade de voltar à Abbotsford, uma cidade da província canadense de Colúmbia Britânica, em junho de 2019, para o casamento de sua prima, percebeu que queria fazer o teste de morar, pelo menos por um tempo, no país. "Depois do casamento, a primeira coisa que fiz foi procurar uma empresa especializada em intercâmbio e ensino superior, para descobrir se seria possível começar um curso mesmo já estando no país, com visto de turista. Apesar de não ser o mais aconselhável o que fiz deu certo, agora posso fazer um novo mestrado e depois solicitar uma permissão de trabalho" disse Ingrid.


Porém, emigrar não é uma decisão tomada de um dia para o outro, é necessário pesquisar o país desejado, quais as principais áreas de trabalho que precisam e aceitam imigrantes, além de ter proficiência na língua, que é a primeira e principal dificuldade encontrada, de acordo com Hirata. A consultora avalia ainda que o segundo impasse é quando a imigração é feita por um casal, mas um dos cônjuges não dispõe de domínio linguístico, o que acaba sendo um obstáculo para a obtenção de um emprego na mesma área de atuação do país emigrado.



Nesse ponto, a especialista destaca que as áreas de trabalho que mais precisam e aceitam imigrantes é da Tecnologia da Informação (TI), hotelaria, soldadores, higienistas e odontologistas. Entretanto, a principal dificuldade do imigrante é ter certificação ou diploma nessas áreas e isso acaba por dificultar a atuação já que são atividades reguladas. Além disso, a consultora alerta que aqueles que atuam como advogados, juristas ou áreas afins não conseguiriam um emprego no mesmo ramo de atuação já que não teriam permissão para tal.

Tendo em vista que o Canadá pode ter muito a oferecer, ele também é muito exigente na seleção de seus imigrantes, já que esse processo é feito por meio do Express Entry, o sistema usado pelo governo Canadense para gerenciar aplicações para programas de imigração. “Esse programa exige muita qualificação dos que querem imigrar diretamente do Brasil, precisa ser jovem, abaixo dos 30, ter mestrado e fluência em francês e inglês, o público que se adequa a essas características não chega nem a 1%” relata a consultora.


Ed Santos, consultor de imigração e sócio cofundador da Canadá Intercâmbio, complementa que para aqueles que visam o visto de permanência, os principais critérios de análise do país são idade, a formação acadêmica, a possível empregabilidade do candidato, experiência profissional, proficiência na língua e vivência anterior no país, se houver. Além disso, o consultor lista que entre os passos para a aquisição da cidadania no país, é preciso solicitá-la por meio de formulários e taxas com tempos de processamento, teste de cidadania e entrevista e o juramento de cidadania e cerimônia.


Porém, há quem dispense a ajuda de consultores de imigração e faça todo o processo de organização de documentos e exames sem ajuda de profissionais especializados em imigração, como no caso do analista de sistemas Murilo Rodrigues, de 30 anos. “Planejo imigrar há pelo menos quatro anos e desde então busco palestras e novidades sobre imigração para o país, além de certificações internacionais. Por ser um processo que demanda tempo, apenas neste ano, pude começar a organizar as documentações necessárias para a criação do perfil que será analisado pelo governo canadense” relata Murilo.


Há também quem discorde que o processo de imigração seja necessário. “O ideal seria emigrar apenas como refugiado ou estudante, absorver o máximo de conhecimento possível daquele país e retornar para sua terra natal com todo o aprendizado e aplicá-lo. A atitude que o México teve com os imigrantes foi incorreta, já que ao recusar a permanência de refugiados, assumiu um papel de catapulta para os EUA e acabamos responsáveis pelo acolhimento deles” afirma o diplomata do departamento de estado dos Estados Unidos (EUA), JP Jenks.


A imigração precisa ser vista também como um acessório e não um fim, é preciso ter em mente que, para o visto temporário de estudo, o objetivo é ter certificações internacionais e voltar para o Brasil para aplicar o aprendizado no mercado e poder desenvolvê-lo.


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