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Quando é necessário imigrar?

Atualizado: 4 de dez. de 2019

Consultora em imigração canadense e diplomata americano concordam que o objetivo final de imigração não deve ser visto levianamente





A emigração brasileira é um fenômeno que pode ser decorrente de sucessivas crises econômicas, como das décadas de 80 e 90, pelo aumento do desemprego, pela procura de uma melhor qualidade de vida ou mesmo pela busca por estudos/intercâmbio. O maior benefício de imigrar por meio dos estudos é que não há uma idade determinada, já que qualquer um pode buscar estudos e capacitações independentemente da faixa etária, como afirma a consultora em imigração, qualificada pelo governo canadense, Paula Hirata.


Emigrar não é uma decisão tomada de um dia para o outro, é necessário pesquisar o país desejado, quais as principais áreas de trabalho que precisam e aceitam imigrantes, além de ter proficiência na língua, que é a primeira e principal dificuldade encontrada, de acordo com Hirata. A consultora avalia ainda que o segundo impasse é quando a imigração é feita por um casal, mas um dos cônjuges não dispõe de domínio linguístico, o que acaba sendo um obstáculo para a obtenção de um emprego na mesma área de atuação do país emigrado e uma frustração para esse cônjuge.


Nesse ponto, a especialista destaca que as áreas de trabalho que mais precisam e aceitam imigrantes é da Tecnologia da Informação (TI), hotelaria, soldadores, higienistas e odontologistas. Entretanto, a principal dificuldade do imigrante é ter certificação ou diploma nessas áreas e isso acaba por dificultar a atuação já que são atividades reguladas. Além disso, a consultora alerta que aqueles que atuam como advogados, juristas ou áreas afins não conseguiriam um emprego no mesmo ramo de atuação já que não teriam permissão para tal.  



Tendo em vista que o Canadá pode ter muito a oferecer, ele é muito exigente na seleção de seus imigrantes, já que esse processo é feito por meio do Express Entry, o sistema usado pelo governo Canadense para gerenciar aplicações para programas de imigração.


“Esse programa exige muita qualificação dos que querem imigrar diretamente do Brasil, precisa ser jovem, abaixo dos 30, ter mestrado e fluência em francês e inglês, o público que se adequa a essas características não chega nem a 1%” relata a consultora.


Ed Santos, consultor de imigração e sócio cofundador da Canadá Intercâmbio, complementa que para aqueles que visam o visto de permanência, os principais critérios de análise do país são idade, a formação acadêmica, a possível empregabilidade do candidato, experiência profissional, proficiência na língua e vivência anterior no país, se houver. Além disso, o consultor lista que entre os passos para a aquisição da cidadania no país é preciso solicitá-la, por meio de formulários e taxas com tempos de processamento, teste de cidadania e entrevista e o juramento de cidadania e cerimônia. 

Apesar de nos últimos anos a procura pelo Canadá ter aumentado, os Estados Unidos, ainda se mantêm como principal destino dos brasileiros quando pensam em ir para o exterior. Dados de 2016 estimavam que cerca de 1,5 milhão de brasileiros habitassem o país norte-americano. O advogado brasileiro Samir* tinha um emprego estável em uma empresa do ramo solar em Goiânia, quando resolveu ir para o país tentar uma vida melhor. Já nos Estados Unidos desde novembro de 2018, conseguiu emprego de lavador de pratos em um restaurante. "A minha situação é mais complicada, apesar de ter emprego, carro e apartamento, sempre quis vir para os Estados Unidos, deixei tudo que tinha para vir e não me arrependo. Tenho família aqui e sempre me venderam o 'sonho americano', eu vim com visto de turismo, porém ele já expirou e tô[sic] ilegal desde fevereiro. Sei que se me descobrem eu sou deportado e não posso mais voltar" declara o advogado.


Participante do evento What Works, organizado pelo Partners of Americas, que tinha como objetivo apresentar a importância das organizações civis no cumprimento de agendas globais, como o desenvolvimento de ações para atingir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Onu, que aconteceu em Goiânia em novembro de 2019, o diplomata do departamento de estado dos Estados Unidos (EUA), JP Jenks discorda que o processo de imigração seja necessário. “O ideal é que seja acolhido apenas quem realmente necessita, como refugiados. Estudantes devem absorver o máximo de conhecimento possível, retornar para sua terra natal com todo o aprendizado e aplicá-lo. A atitude que o México tem com os imigrantes é incorreta, já que ao recusar a permanência de refugiados, assume um papel de catapulta para os EUA e acabamos responsáveis pelo acolhimento deles” afirma o diplomata.


Para Jenks os jovens não deveriam nutrir o desejo de ir para outro país, e sim de transformar o seu próprio para dar oportunidades àqueles que não conseguem ter a experiência de morar em outro país, ter acesso às informações aprendidas, seja por meio de propagação de ensino ou aplicação do estudo por meio de melhorias nas regiões em que se vive. "Olhando de fora a grama do vizinho é sempre mais verde. Mas quem tem essa oportunidade(fazer intercâmbio), tem a chance de ser multiplicador e até, quem sabe, se transformar num representante do povo, para, por meio do governo, ajudar ainda mais os mais necessitados."[sic] completa.


Tanto para Hirata, quanto para Jenks, a imigração precisa ser vista como um acessório e não um fim, é preciso ter em mente que, para o visto temporário de estudo, o objetivo é ter certificações internacionais e voltar para o Brasil para aplicar o aprendizado no mercado e poder desenvolvê-lo.




*Por questões de segurança, Samir só permitiu que usássemos seu primeiro nome.

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