Moda sustentável
- Luísa Chacon
- 8 de mar. de 2021
- 3 min de leitura
Atualizado: 6 de abr. de 2023
O movimento Fashion Revolution e o mundo da moda em Goiânia

Após anos do domínio das lojas de departamento, em inglês conhecidas como fast fashion, e em tradução literal seria algo como moda rápida, os consumidores começaram a procurar saber de onde e como suas roupas chegam nas lojas. A moda, de algo descartável, tornou-se reciclável. Os brechós tornaram-se da moda, blogs sobre o universo fashion e it girl's começaram a discutir sobre responsabilidade, ética e transparência na moda.
O movimento Fashion Revolution foi iniciado após a queda do Edifício Rana Plaza em Bangladesh, em 2013, que deixou 2500 mortos e 1133 feridos e se tornou uma das maiores tragédias da indústria da moda atual. O edifício abrigava mais de 5 mil trabalhadores em uma fábrica de roupas ilegal que abastecia marcas do Grupo Benetton. O caso foi documentado no longa The True Cost (2015).
Daniela Benevides, estudante de moda e uma das representantes do movimento em Goiânia, ressalta a importância do projeto e a luta constante por uma moda transparente e sustentável. "A gente luta por mostrar todo o processo, de onde tudo veio, se esse algodão teve que ter um desmatamento absurdo para poder virar fibra, se os trabalhadores estão saudáveis, se os produtos químicos usados na produção estão sendo descartados corretamente ou nos rios".
A estudante fala sobre a indústria do consumismo, que condicionou os consumidores a comprarem roupas o tempo todo. "A gente sabe que o impacto ambiental da indústria da moda é um dos maiores existentes atualmente, e é muito convincente em nos fazer consumir muito. O Fashion Revolution também vem para quebrar isso, o guarda roupa cápsula é um bom exemplo de como ter um consumo consciente, pois você só precisa do básico, de peças que conversem entre si. Com 37 peças você já tem um guarda roupa completo." avalia Daniela.
Joanice Ferreira, dona do Jô Ferreira Boutique, começou em 2014 com um brechó no centro da capital. "Com o passar do tempo, as lojas da 44 - centro comercial de roupas em Goiânia - começaram a competir, pois as clientes não iriam pagar 20 reais numa roupa usada quando poderiam comprar uma nova".
Ela fala que algumas clientes têm preconceito de comprar roupas que já foram de outras pessoas e nem ousam olhar para as araras usadas. E isso também foi um fator que a fez adaptar o negócio, o foco agora são as roupas novas, ainda que mantenha um espaço reservado para roupas de brechó.
"Tive que me adaptar e agora trago roupas de São Paulo, pois a qualidade é muito superior das encontradas aqui. Mas a mentalidade de algumas clientes mudou bastante, principalmente das mais jovens. De uns dois anos para cá a procura por calças dos anos 90, mom jeans, foi enorme, elas começaram a ver no Instagram blogueiras usando e queriam também. Observo que o vintage tornou-se cool. Querem uma moda consciente e autêntica, algumas não querem um produto de departamento, querem o original" finaliza a empresária.
A costureira Vanira* é um dos exemplos do que movimento Fashion Revolution tenta combater. Ela trabalha para uma facção em Goiânia que paga por produção, por cada peça costurada recebe entre R$1.50 a R$2.00. "Depende do que a gente tá fazendo no dia, mas fica entre isso. Já teve dia d'eu(sic) trabalhar umas 14 horas. A gente sabe que não é bom, mas a gente tem que trabalhar, né? É difícil conseguir algo melhor. Às vezes eu ainda consigo fazer umas costuras por fora, mas não é sempre que consigo" declara Vanira.
De acordo com Daniela boa parte de sobras das produções são jogadas fora sem terem sido usadas ou ido para as lojas, por conter erros de produção, são peças boas mas que foram recusadas pelas empresas. O Fashion Revolution tenta então encontrar uma solução para o exagero da moda com o Slow Fashion, uma alternativa às Fast Fashion, na tentativa de fazer uma moda mais duradoura.
Nota: Vanira pediu que seu nome fosse modificado.
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